Resumo para: Reis RB, Ribeiro GS, Felzemburgh RDM, Santana FS, Mohr S, et al. (2008) Impact of Environment and Social Gradient on Leptospira Infection in Urban Slums. (Impacto do Ambiente e do Gradiente Social na Infecção pela Leptospira em Favelas Urbanas.) PLoS Negl Trop Dis 2(4): e228 (doi:10.1371/journal.pntd.0000228), traduzido para o português pelo Dr. Guilherme Ribeiro.

Realce semântico: Os realces semânticos deste resumo em português do artigo original de Reis et al. no PLoS NTD foram criados por David Shotton, Alistair Miles, Graham Klyne e Katie Portwin, Grupo de Pesquisa da Bioinformática da Imagem, Departamento de Zoologia, Universidade de Oxford. Este resumo do artigo em português e com realce foi publicado em 3 setembro 2008 no doi:10.1371/journal.pntd.0000228.s003.x001.

Introdução:

Leptospirose tornou-se um problema de saúde urbano devido à expansão das favelas em todo mundo. Entretanto, a falta de informações populacionais sobre os determinantes de transmissão tem dificultado a identificação de intervenções para o controle da leptospirose urbana. Este estudo tem como objetivos estimar a prevalência da infecção pela Leptospira e identificar fatores de risco para infecção em uma favela.

Métodos e Resultados:

Nós conduzimos um inquérito de base comunitária em 3.171 residentes de uma favela em Salvador, Brasil. Anticorpos aglutinantes contra Leptospira foram usados como um marcador de infecção prévia. Modelos de regressão de Poisson avaliaram a associação entre a presença de anticorpos contra Leptospira e atributos ambientais obtidos através de Sistema de Informação Geográfica, indicadores sócio-econômicos e exposições de risco individuais. A prevalência de anticorpos contra Leptospira foi de 15,4% (intervalo de confiança [IC] de 95%, 14,0-16,8). Os domicílios dos indivíduos com anticorpos contra Leptospira agrupavam-se áreas de invasão no fundo dos vales da favela. A aquisição de anticorpos contra Leptospira foi associada a fatores ambientais do peri-domicílio como residência em regiões com esgotos aberto e risco para alagamento (razão de prevalência [RP] 1,42, IC 95% 1,14-1,75) e proximidade a acúmulo de lixo (1,43, 1,04-1,88), observação de ratos (1,32, 1,10-1,58), e presença de galinhas (1,26, 1,05-1,51). Além disso, baixo nível sócio-econômico e raça negra (1,25, 1,03-1,50) foram fatores de risco independentes. Para cada acréscimo de US$1 na renda domiciliar per capita diária observou-se uma redução de 11% (IC 95% 5-18%) no risco de infecção.

Conclusões:

Deficiências na estrutura de saneamento onde habitantes de favelas residem foram identificados como fontes ambientais de transmissão da Leptospira. Mesmo após controlar para estes fatores ambientais, diferenças no nível sócio-econômico contribuíram para o risco de infecção pela Leptospira. Estes achados indicam que além de melhorias no saneamento, medidas de prevenção efetivas para leptospirose deveriam ser dirigidas para a redução das diferenças sociais que produzem desfechos de saúde desiguais entre residentes de favelas.